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Finanças do Casal

13º salário do casal: quitar dívida, guardar ou investir junto? A conta antes do Natal

O 13º salário do casal costuma virar presente de Natal e fatura do cartão no mesmo mês. Veja a conta antes de decidir o que fazer com esse dinheiro.

Felipe Marin23 de outubro de 20264 min de leitura
focus photography of person counting dollar banknotes

Um casal que ganha R$ 7.200,00 junto costuma receber cerca de R$ 6.630,00 líquidos de 13º salário somando os dois contracheques. Esse dinheiro cai em duas datas fixas, final de novembro e dia 20 de dezembro, e na prática desaparece em presente, ceia e viagem de fim de ano antes que o casal pare pra pensar no que fazer com ele.

O 13º não é bônus, é salário que já é seu

A premissa errada mais comum é tratar o 13º como dinheiro extra, tipo um prêmio que caiu do céu. Ele não é. É parte do salário que a empresa reteve o ano inteiro e devolve em duas parcelas. Quando o casal trata como bônus, costuma gastar ele inteiro em compras de dezembro e janeiro volta exatamente igual, com fatura de cartão parcelada e sem nenhum colchão a mais.

O erro mais comum nessa época do ano é decidir o destino do 13º separado, cada um cuidando da sua parcela, sem olhar pro total do casal. Isso faz um gastar a parcela toda em presente enquanto o outro guarda a dele, e no fim ninguém sabe quanto o casal de fato tem disponível pra decisão grande.

Quanto realmente sobra depois do desconto

A primeira parcela, paga até 30 de novembro, sai sem desconto de INSS e Imposto de Renda, é metade do salário bruto. A segunda parcela, paga até 20 de dezembro, já vem com os descontos aplicados, então costuma ser menor do que a primeira.

Fizemos a conta de um casal fictício pra ilustrar. Felipe (nome usado aqui só como exemplo) ganha R$ 4.200,00 bruto por mês em CLT. O 13º bruto dele também é R$ 4.200,00. A primeira parcela é R$ 2.100,00, sem desconto. A segunda parcela, com INSS e IR, fica em torno de R$ 1.750,00. Total líquido dele: R$ 3.850,00.

A outra pessoa do casal ganha R$ 3.000,00 bruto. Primeira parcela: R$ 1.500,00 sem desconto. Segunda parcela, já com desconto: cerca de R$ 1.280,00. Total líquido: R$ 2.780,00.

Somando os dois, o casal recebe R$ 6.630,00 líquidos de 13º ao longo de novembro e dezembro. Esse número, e não o valor bruto que aparece no contracheque, é o que entra na conta de decisão.

Três cenários pra decidir o destino do 13º do casal

Antes de gastar em presente de Natal, vale olhar pra que fase financeira o casal está. A decisão certa muda bastante dependendo do cenário.

Cenário 1: tem dívida cara rodando

Se o casal tem rotativo do cartão ou cheque especial em aberto, essa é a prioridade quase sempre. Um saldo de R$ 4.000,00 no rotativo, a uma taxa comum de 15% ao mês, gera cerca de R$ 600,00 de juros só naquele mês se não for pago. Nenhuma meta de curto prazo rende isso. Usar R$ 4.000,00 do 13º pra zerar esse rotativo economiza mais do que qualquer investimento conservador conseguiria pagar em um ano inteiro. Sobram R$ 2.630,00 pra reserva ou presente modesto.

Cenário 2: sem dívida cara, mas sem reserva

Se o casal não tem dívida rodando com juros altos, mas também não tem reserva de emergência formada, o 13º é a oportunidade de fechar isso de uma vez. Guardar R$ 4.500,00 dos R$ 6.630,00 em uma reserva de emergência deixa o casal com uma base de um a dois meses de despesas fixas guardada, e ainda sobram R$ 2.130,00 pra fechar o ano com uma ceia ou presente sem culpa.

Cenário 3: reserva formada e sem dívida

Esse é o cenário em que o casal já resolveu o básico. Aqui o 13º pode ir inteiro ou em boa parte pra uma meta que já está em andamento, entrada do imóvel, lua de mel, troca de carro. Separar R$ 5.000,00 pra meta e usar R$ 1.630,00 pra fim de ano é uma divisão que mantém o planejamento andando sem transformar dezembro num mês sem graça.

O 13º não precisa ser 100% dívida, 100% reserva ou 100% festa. A conta funciona melhor quando o casal distribui entre as três pontas, só muda o peso de cada uma dependendo da fase.

A ordem de prioridade que evita decidir na pressa

Quando o dinheiro cai na conta em novembro e dezembro, a tentação é decidir rápido, geralmente puxado por alguma compra que já estava na cabeça. A ordem que funciona, na prática, segue três perguntas, nessa sequência:

  • Existe dívida com juros acima de 10% ao mês rodando agora? Se sim, ela vem primeiro, sempre.
  • Existe reserva de emergência formada? Se não, a segunda parcela do 13º é candidata natural pra isso.
  • Sobrou alguma coisa depois das duas primeiras? Essa parte pode ir pra meta do casal ou pra fim de ano, sem peso na consciência.

Vale lembrar que essa ordem não é regra fixa de mercado, é uma lógica de prioridade que faz sentido pra maioria dos casais endividados ou sem reserva. Casos específicos de dívida, imposto de renda ou planejamento sucessório merecem conversa com um profissional da área, o post aqui não substitui isso.

O que fazer hoje à noite

Antes de qualquer compra de fim de ano, sentem os dois juntos com os dois contracheques (ou o extrato de pagamento, se for PJ) e somem o valor líquido total do 13º dos dois. Depois, respondam junto às três perguntas da seção anterior. Isso leva uns 10 minutos e evita que o casal descubra em janeiro que gastou um 13º inteiro sem ter decidido nada junto.

Registrar esse valor e a decisão em algum lugar fixo, não só na cabeça de quem lembrou de fazer a conta, ajuda a não repetir a mesma discussão em dezembro do ano que vem.

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