Alugar ou comprar o primeiro apê: a conta que decide por vocês dois
Antes de decidir entre alugar ou comprar o primeiro apê, o casal precisa somar mais do que aluguel e parcela. Veja a conta completa pra decidir junto.
A gente visitou um apê pra comprar numa manhã de sábado, seis meses depois de ter assinado o contrato de aluguel do que já morávamos. O corretor falou a parcela estimada e meu noivo fez a cara de quem já tinha decidido: 'é quase o mesmo valor do aluguel, então compensa'. Só que ele esqueceu de perguntar sobre condomínio, IPTU e o fundo de reserva que o síndico ia cobrar no ano seguinte pra trocar o telhado.
Voltamos pra casa discutindo, não porque um queria comprar e o outro não, mas porque cada um estava fazendo a conta com números diferentes na cabeça. Essa é a parte que ninguém avisa: a dúvida entre alugar ou comprar não é sobre gostar mais de um apê ou do outro. É sobre qual conta cada um está fazendo sem falar em voz alta.
Por que 'a parcela é parecida com o aluguel' não basta
Quando você compara só a parcela do financiamento com o aluguel que já paga, está comparando a parte mais fácil de ver e esquecendo o resto. No aluguel, o condomínio e o IPTU às vezes já vêm embutidos ou são bem menores. Na compra, eles chegam separados, todo mês, e sobem com reajuste do condomínio e com a nova avaliação do IPTU.
Tem também a manutenção que o proprietário não paga mais. Vazamento, infiltração, aquecedor que para de funcionar: tudo isso sai do seu orçamento, não do dono do imóvel. Se vocês dois nunca fizeram essa conta somada, o apê 'mais barato que o aluguel' pode acabar custando mais caro no fim do mês.
A conta que vale fazer antes de qualquer visita
Antes de visitar outro apê, sentem juntos e somem:
- Parcela estimada do financiamento
- Condomínio médio da região que vocês estão olhando
- IPTU dividido por 12 meses
- Uma reserva mensal pra manutenção (um valor fixo, tipo R$ 150,00 ou R$ 200,00, só pra criar o hábito)
Esse total é o número real que precisa entrar no orçamento, não a parcela isolada. Compare com o que vocês pagam hoje de aluguel mais condomínio mais IPTU, se já pagam. Só assim a comparação fica justa.
Quanto tempo vocês pretendem ficar nesse apê
Comprar envolve custo de entrada que não existe no aluguel: ITBI, escritura, corretagem quando é imóvel usado. Isso só compensa se vocês ficarem tempo suficiente pra esse custo se diluir. Se a resposta for 'não sei, depende do emprego' ou 'talvez a gente mude de cidade em dois anos', alugar segue sendo a opção mais leve, mesmo pagando um pouco mais por mês.
Essa pergunta parece óbvia, mas poucos casais sentam pra responder ela antes de visitar imóveis. A gente só percebeu que não tinha resposta quando o corretor perguntou e os dois ficamos olhando um pro outro sem saber o que dizer.
A reserva que precisa existir antes da entrada
Juntar o valor da entrada é só parte da conta. Comprar sem deixar uma reserva de emergência separada é um risco que a gente só entende depois que acontece: pia entupida, geladeira que queima, revisão do carro que não pode esperar. Se todo o dinheiro do casal foi pra entrada e documentação, qualquer imprevisto vira dívida no cartão.
A regra que a gente adotou: nenhum real da reserva de emergência entra na conta da entrada do imóvel, mesmo que pareça que falta pouco.
Separar as duas metas, entrada do imóvel e fundo de emergência, evita que o sonho da casa própria comece endividado.
Decidir junto, não só pela planilha de um
Uma coisa que a gente aprendeu visitando apê depois de apê: quando só um do casal mexe nos números, o outro só opina no fim, sem ter acompanhado o raciocínio. Isso gera a sensação de que a decisão já estava tomada antes da conversa.
O jeito que funcionou pra nós foi separar critério de gosto (varanda, andar, luz da manhã) de critério financeiro (teto de parcela total, bairro que cabe no orçamento), e cada um dar sua opinião nos dois grupos. Às vezes um apê que os dois amaram não passava no critério financeiro, e isso ficava claro antes de qualquer visita a cartório.
Separar os critérios ajuda a comparar várias opções sem perder o controle
Se vocês estão olhando mais de um apê, seja pra alugar ou comprar, vale registrar cada opção com os mesmos dados: preço, condomínio, IPTU, área, quartos. No app Nós Dois, o módulo Moradia foi feito exatamente pra isso: cada apê entra com fotos, preço, condomínio e IPTU, e cada um do casal curte ou descarta separado. Quando os dois curtem o mesmo apê, ele sobe no ranking como favorito dos dois, sem precisar lembrar de cabeça qual era 'aquele apê da Rua X'.
O que não fazer nessa decisão
Não decida comparando só a parcela com o aluguel atual, sem somar condomínio, IPTU e manutenção. E não deixe a decisão pra quem 'entende mais de número' no casal. Mesmo que um dos dois saiba fazer a conta mais rápido, a decisão de morar ali pelos próximos anos é dos dois, e isso inclui entender, junto, de onde vem cada parcela do custo mensal.
O próximo passo de 5 minutos
Antes da próxima visita a um apê, sentem juntos e somem o que vocês pagam hoje de aluguel, condomínio e IPTU (ou coloquem a estimativa, se ainda não pagam nenhum). Escrevam esse número num papel ou numa nota no celular. É esse número, e não a parcela isolada do financiamento, que vocês vão comparar em qualquer imóvel novo que visitarem.
Se as próximas visitas forem a mais de um apê, dá pra evitar confundir qual era qual registrando cada opção com preço, condomínio e fotos no mesmo lugar, pra comparar depois com calma.
Veja como o Nós Dois ajuda quem está se mudando — comece grátis