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Finanças do Casal

Casal endividado: o passo a passo pra sair da dívida sem se desgastar (com a conta real)

Casal endividado não sai do vermelho com força de vontade, sai com ordem. Veja qual dívida pagar primeiro, a conta dos juros e três cenários reais.

Felipe Marin18 de junho de 20265 min de leitura
a calculator sitting on top of a wooden table

Um casal que ganha R$ 7.000,00 por mês junto e deve R$ 9.000,00 espalhados em cartão, cheque especial e parcela de loja não tem um problema de salário. Tem um problema de ordem. Os dois trabalham, os dois pagam coisa, e mesmo assim todo mês fecha no negativo e ninguém sabe direito por quê. A sensação é de remar contra a maré com o barco furado.

O erro mais comum é tratar a dívida como uma massa só, um bloco grande e assustador chamado "a gente tá devendo". Quando vira um número único e gigante, ninguém ataca, porque parece que nada que você faz move o ponteiro. A saída não começa pagando. Começa separando.

Por que dívida de casal trava diferente de dívida solo

Quando você devia sozinho, você sabia de cabeça quanto e pra quem. Em casal, a dívida fica picada entre duas pessoas e dois cartões. Um acha que o outro tá pagando a fatura. O outro acha que aquele parcelado já acabou. O cheque especial de um nem aparece na conversa porque "é coisa minha". O resultado é que o casal nunca enxerga o total real ao mesmo tempo.

E tem o lado emocional. Dívida em casal vira acusação rápido: "foi você que insistiu no sofá parcelado", "você que vive no aplicativo de comida". Enquanto a conversa for sobre culpa, ninguém paga nada. O dinheiro não liga pra quem errou. Ele só responde a juros e a prazo.

Primeiro passo: a foto real de tudo num lugar só

Antes de pagar um centavo, vocês precisam ver a dívida inteira numa tela, juntos, na mesma noite. Cada linha com quatro informações: pra quem você deve, quanto falta, qual o juros ao mês e quando vence. Sem essa foto, qualquer plano é chute.

Vou montar a foto de um casal exemplo pra ficar concreto. Renda junta de R$ 7.000,00. As dívidas:

  • Rotativo do cartão: R$ 4.000,00, com juros perto de 14% ao mês. Esse é o vilão.
  • Cheque especial: R$ 2.000,00, com juros na faixa de 8% ao mês.
  • Parcelado de loja (geladeira): R$ 3.000,00 em 10 parcelas de R$ 300,00, sem juros visível porque já tava embutido.

Total: R$ 9.000,00. Mas repare uma coisa que quase ninguém faz a conta. Só o rotativo do cartão, a 14% ao mês, custa cerca de R$ 560,00 de juros no primeiro mês. O cheque especial, mais R$ 160,00. Ou seja, o casal queima uns R$ 720,00 por mês só pra dívida não crescer, antes de abater um real do que deve. Isso é mais que um aluguel de quarto em muita cidade.

Qual dívida pagar primeiro: a conta dos juros

Aqui mora a decisão que define se vocês saem em 8 meses ou em 2 anos. Existem duas escolas, e elas brigam.

A primeira diz: pague a menor dívida primeiro, pra sentir uma vitória rápida e ganhar ânimo. É a bola de neve. Funciona pra cabeça, anima o casal. A segunda diz: pague a de maior juros primeiro, custe o que custar, porque é ela que sangra mais dinheiro. É a conta fria.

Pra esse casal, a conta fria é claríssima. O rotativo a 14% ao mês é o que precisa morrer primeiro. Cada R$ 100,00 jogado lá economiza muito mais juros do que no parcelado da geladeira, que já tá com a taxa travada. A ordem de ataque vira: rotativo do cartão, depois cheque especial, e a geladeira você só mantém em dia, pagando as parcelas que já existem, sem antecipar.

Antecipar parcela sem juros é jogar dinheiro fora enquanto existe uma dívida com juros alto aberta. Pague o caro primeiro, sempre.

Tem um passo intermediário que vale ouro: ligar pro banco e pedir pra trocar o rotativo do cartão e o cheque especial por um parcelamento ou empréstimo de juros menor. Sair de 14% ao mês pra algo na faixa de 3% a 5% ao mês muda o jogo. Não é mágica, é renegociação, e o banco prefere receber parcelado a não receber. Vale a ligação.

Três cenários pra sair do vermelho

A pergunta real é: quanto sobra por mês pra atacar a dívida? Vamos supor que o casal, cortando gordura óbvia (comer fora, assinaturas que ninguém usa), consiga liberar valores diferentes. Três cenários.

Cenário pessimista: R$ 600,00 por mês. Como os juros do rotativo e do cheque especial somam quase R$ 720,00 no começo, R$ 600,00 mal cobre os juros. O casal fica patinando, a dívida quase não cai. Esse cenário grita uma coisa: sem renegociar a taxa, R$ 600,00 não resolve. Renegociar deixa de ser opção e vira obrigação.

Cenário realista: R$ 1.000,00 por mês. Com a taxa renegociada pra algo perto de 4% ao mês, os juros caem pra uns R$ 240,00 no início. Sobram cerca de R$ 760,00 por mês abatendo o principal de verdade. Nesse ritmo, o rotativo e o cheque especial somados (R$ 6.000,00) saem em torno de 9 a 10 meses. Depois disso, a geladeira já estará quase quitada também.

Cenário otimista: R$ 1.500,00 por mês. Mesma renegociação, mais corte. O casal limpa as duas dívidas caras em uns 6 meses e ainda começa a guardar um colchão pequeno pra não cair no cheque especial de novo no primeiro imprevisto. Esse último ponto importa: sair da dívida sem reserva nenhuma é entrar numa porta giratória.

A regra prática que cabe em uma frase

Veja a dívida inteira junto, na mesma tela; renegocie a taxa do que tem juros alto antes de qualquer coisa; e direcione todo o dinheiro extra pra dívida de maior juros, mantendo só o mínimo nas outras. Não é sobre apertar até doer todo mês. É sobre parar de pagar R$ 700,00 de juros pra um banco quando esse dinheiro podia estar abatendo o que vocês devem.

E uma coisa que Felipe aqui aprendeu na marra: o casal que conversa sobre a dívida sem procurar culpado paga mais rápido. Estudos sobre finanças de casal costumam apontar que conversar sobre dinheiro de forma aberta reduz conflito. A dívida é do casal, não de quem comprou a geladeira.

O que fazer hoje à noite

Separe 20 minutos com seu parceiro e abram uma única lista com toda dívida de vocês dois, cada uma com valor, juros ao mês e vencimento. Só isso. Não precisa pagar nada hoje, não precisa cortar nada hoje. Precisa enxergar o total real pela primeira vez. Quando os dois olham o mesmo número, a conversa muda de "de quem é a culpa" pra "qual a gente mata primeiro".

Manter essa foto viva mês a mês é o que evita a recaída. Listar as despesas fixas de cada pessoa, ver as parcelas de cartão numa timeline mês a mês, marcar cada conta como a pagar, paga ou atrasada, e usar a calculadora financeira pra testar se uma renegociação cabe no orçamento dos próximos 6 meses: é exatamente esse tipo de visão de casal que o Nós Dois foi feito pra dar, num lugar só que os dois acessam, em vez de ficar somando print de fatura no grupo do WhatsApp.

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