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Mudança e Apartamento

Custos escondidos da mudança do casal: a lista do que ninguém soma antes

Aluguel e caminhão são o óbvio. Os custos escondidos da mudança são o que estoura o orçamento do casal. A lista honesta do que somar antes de pegar a chave.

Diogo Lemos10 de junho de 20266 min de leitura
Couple kissing while holding a small wooden house.

A primeira mudança que fiz com a Marcela tinha um número bonito e redondo na minha cabeça. Aluguel do mês, caução, caminhão. Somei os três, arredondei pra cima pra ficar tranquilo e achei que tinha resolvido. Spoiler: no fim daquele mês, a fatura do cartão e o extrato da conta tinham quase o dobro de linhas que a minha previsão. Nenhuma delas era luxo. Eram coisas pequenas que ninguém soma porque parecem detalhe.

Depois de mais duas mudanças e de muita planilha refeita às pressas, aprendi que mudança não estoura no item caro. Estoura na cauda longa de gastos de R$ 40, R$ 80, R$ 150 que aparecem todo dia durante três semanas. Esse texto é a lista honesta do que eu esqueci de somar nas primeiras vezes, separada do jeito que hoje funciona pra gente.

Por que a conta da mudança quase sempre dá errado

O erro não é falta de esforço. É de método. A gente soma o que é grande e visível: aluguel, caução, frete do caminhão. Esses três você lembra porque doem de uma vez só. O problema são os custos que vêm fracionados, um por dia, e que individualmente parecem irrelevantes. Você não anota a vela de R$ 18, o suporte de TV de R$ 60, o segundo cadeado, o registro de gás. Multiplica isso por 20 dias e tá lá o rombo.

O segundo erro é tratar mudança como evento de um dia. Não é. É um período de uns 30 a 45 dias em que o casal gasta acima do normal pra fazer a casa funcionar. Se você só orça o dia do caminhão, a conta vai te pegar no mês seguinte, quando os boletos novos chegam todos juntos pela primeira vez.

O critério que passei a usar é simples: dividir o custo da mudança em três blocos por momento. O que você paga pra conseguir entrar, o que você paga pra casa funcionar no dia 1, e o que vira despesa nova recorrente a partir do mês seguinte. Os três blocos pesam, e quase ninguém olha o terceiro antes de assinar o contrato.

Bloco 1: os custos pra conseguir entrar no apê

Esse é o bloco que mais gente subestima porque acha que é só a caução. Não é. Numa locação típica de casal, antes de você dormir a primeira noite no apê, costuma sair:

  • Caução ou seguro fiança, que muda completamente a conta dependendo da modalidade que a imobiliária exige.
  • Primeiro aluguel adiantado, mais o condomínio do mês, que às vezes vem proporcional e confunde.
  • Taxas de transferência de luz, água e gás pro nome de vocês. Cada uma é pequena, juntas surpreendem.
  • Instalação de internet, com taxa de adesão que muita operadora cobra e não avisa direto.
  • Frete do caminhão ou da van, que dobra de preço se a mudança cair em fim de semana ou fim de mês.

Só esse bloco, numa mudança de casal sem nada de extravagante, costuma passar fácil dos R$ 4.000 a R$ 6.000 dependendo da cidade. E é o bloco que você precisa ter em dinheiro disponível, não parcelado, porque vence tudo na mesma semana.

Bloco 2: os custos pra casa funcionar no dia 1

Aqui mora o assassino silencioso do orçamento. São as comprinhas que você jura que não vai precisar e precisa. A casa vazia revela buraco que você não via no apê antigo já montado.

  • Itens de instalação: suporte de TV, prateleira, varal, espelho, tudo que precisa de parafuso e que você descobre que não tem na hora.
  • Ferramenta básica: se nenhum dos dois tem furadeira, chave de fenda decente e fita métrica, esse é o fim de semana que você compra.
  • O primeiro mercado da casa nova, que nunca é um mercado normal. Você compra sal, açúcar, óleo, tempero, produto de limpeza, saco de lixo, tudo do zero ao mesmo tempo. Esse mercado custa o dobro de um mês comum.
  • Cortina, lâmpada, lixeira, ralo, vedação: a lista de R$ 30 que não acaba.
  • Chaveiro e cópia de chave, porque vocês são dois e a imobiliária entregou uma chave só.

Esse bloco é traiçoeiro porque ele não tem teto óbvio. Cada ida ao mercado de construção tira mais R$ 150 do casal sem que ninguém perceba. A regra que adotei foi cravar um número pra esse bloco antes de começar e tratar como meta, não como gasto livre. Quando você nomeia o limite, para de fingir que aquilo é só detalhe.

Bloco 3: as despesas novas que só aparecem no mês seguinte

Esse é o bloco que ninguém olha antes de assinar, e é o que mais machuca a médio prazo. Morar no lugar novo muda a sua estrutura de custo fixo pra sempre, não só no mês da mudança.

  • Condomínio, que no apê antigo podia não existir e agora é uma conta fixa todo dia 10.
  • Conta de luz diferente, porque casa nova tem ar-condicionado novo, chuveiro diferente, mais cômodo pra iluminar.
  • IPTU, que se você comprou agora é seu, e ninguém lembra de incluir.
  • Manutenção que era do antigo dono e virou sua: a torneira que pinga, a fechadura dura, o filtro que precisa trocar.

O perigo desse bloco é que ele não aparece na mudança. Ele aparece 30 dias depois, quando os boletos novos chegam juntos pela primeira vez e o casal leva o susto de que o custo de vida subiu e ninguém tinha somado.

O que a gente faz hoje pra mudança não virar susto

Depois de errar essa conta três vezes, o sistema que funciona pra gente é chato de propósito: a gente cria uma meta de mudança com valor alvo separado do orçamento normal, e taca os três blocos lá dentro como linhas. Nada de "vai dar uns dois mil". É linha por linha, do caução ao saco de lixo.

Hoje isso vive dentro do Nós Dois, o app que a gente usa pra organizar a vida a dois. Eu uso a parte de Metas pra reservar o valor da mudança com aporte mensal antes de assinar qualquer contrato, e cadastro os boletos novos em Contas a pagar já com vencimento, pra ninguém ser pego de surpresa no mês seguinte. O primeiro mercado da casa nova vai pra lista de Mercado, que registra o preço pago e me mostra na cara quanto aquele mês fora da curva custou de verdade.

Sendo honesto sobre o que falta: o app não importa extrato do banco nem lê fatura sozinho, então alguém ainda lança as despesas na mão. Pra mim isso nunca foi defeito grave numa mudança, porque o ato de digitar cada item é justamente o que faz o casal enxergar a cauda longa que costuma ignorar. Ferramenta boa é a que obriga vocês a olhar o número antes dele virar dívida.

O próximo passo de 5 minutos

Antes de fechar qualquer apê, sentem os dois e escrevam os três blocos numa lista única: entrar, funcionar no dia 1, e o novo fixo do mês seguinte. Não precisa de valor exato agora, precisa das linhas existindo. Em cinco minutos vocês já vão ver que a conta real é maior que o número redondo da cabeça, e melhor descobrir isso antes de assinar do que no extrato.

Depois é só colocar o valor alvo em algum lugar que os dois abrem todo dia, com aporte mensal, e ir tachando conforme paga. Mudança organizada não é a que custa pouco. É a que não tem surpresa.

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