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Finanças do Casal

13º do casal: o plano pra usar o dinheiro extra antes dele cair na conta (e sumir)

O 13º do casal soma um mês inteiro de renda. Veja como dividir o dinheiro extra em fatias, com três cenários e a conta pronta, sem torrar tudo em dezembro.

Felipe Marin14 de julho de 20265 min de leitura
a person stacking coins on top of a table

Todo fim de ano acontece a mesma coisa: cai um mês inteiro de renda extra na conta do casal, e em fevereiro ninguém sabe pra onde foi. Um casal que ganha junto R$ 8.000 por mês recebe, somando os dois 13º, algo perto de R$ 8.000 brutos a mais. Depois do desconto de INSS e imposto na segunda parcela, sobra na faixa de R$ 6.500 a R$ 6.900 líquidos. É quase uma renda extra caindo do céu. E é justamente por parecer dinheiro de graça que ele evapora mais rápido que o salário normal.

O erro mais comum é tratar o 13º como bônus de gastar. O casal médio decide no impulso: passagem de fim de ano, presente caro, aquela TV que estava no carrinho desde outubro. Não tem nada de errado em usar parte pra isso. O problema é usar tudo sem antes fazer a conta do que o dinheiro extra poderia resolver de uma vez, e que o salário mensal nunca consegue.

Por que o 13º é o dinheiro mais fácil de perder

Salário mensal já vem com destino: aluguel, mercado, conta de luz, cartão. Você nem pensa, o dinheiro já tem dono. O 13º não. Ele chega sem função definida, e dinheiro sem função definida vira gasto invisível. R$ 200 aqui, R$ 350 ali, e no fim de janeiro o extrato mostra que os R$ 6.800 viraram trinta comprinhas que ninguém lembra.

A diferença de um casal que termina o ano melhor pra outro que termina igual não é quanto cada um recebeu. É se o dinheiro extra teve um plano antes de cair na conta. Plano feito em novembro, não no dia 20 de dezembro com o dinheiro já na mão e o shopping lotado.

A conta: divida o 13º em fatias, não num gasto só

Peguei o caso do casal que ganha junto R$ 8.000 e recebe cerca de R$ 6.800 líquidos de 13º combinado. A ideia é fatiar antes de gastar. Não existe divisão certa universal, mas existe uma ordem que quase sempre faz o dinheiro render mais. A ordem é: primeiro o que está caro te cobrando juros, depois o que te protege, depois o que te aproxima de uma meta, e por último o que é só pra vocês curtirem.

Fizemos a conta com essa lógica sobre os R$ 6.800:

  • Dívida cara primeiro: se tem fatura de cartão rolando ou parcela com juros alto, essa fatia vem antes de tudo. Quitar R$ 3.000 de rotativo de cartão pode economizar mais de R$ 400 por mês em juros. Nenhum investimento seguro paga isso.
  • Reserva depois: se a dívida cara já foi, uma parte vai reforçar o fundo de emergência. Colocar R$ 2.000 aqui é o que evita que o próximo imprevisto vire dívida nova.
  • Meta no terceiro lugar: viagem, entrada de apê, troca de carro. Jogar R$ 1.500 numa meta específica adianta meses de aporte mensal de uma vez só.
  • Curtir por último: os R$ 300 que sobram são de torrar sem culpa. Jantar, presente, o que for. Essa fatia é combinada, não escondida.

Três cenários pra escolher a sua fatia

Nenhum casal está no mesmo ponto. Por isso vale olhar três cenários e ver em qual vocês estão hoje.

Cenário pessimista (casal com dívida cara): tem fatura de cartão no rotativo ou cheque especial. Aqui a conversa é curta. Praticamente todo o 13º vai pra matar a dívida mais cara primeiro. Um casal que quita R$ 5.000 de rotativo deixa de pagar algo entre R$ 500 e R$ 700 de juros por mês. É o uso mais rentável possível do dinheiro extra, e ninguém vende isso como investimento porque não dá comissão pra ninguém.

Cenário realista (casal sem dívida cara, mas com pouca reserva): as contas estão em dia, mas se a geladeira quebrar amanhã, entra no cartão. Aqui o 13º vira metade reserva, um terço meta, e o resto pra curtir. Dos R$ 6.800, seria algo como R$ 3.400 na reserva, R$ 2.400 numa meta e R$ 1.000 pro fim de ano do casal.

Cenário otimista (casal com reserva formada e sem dívida): vocês já têm o colchão de emergência e nenhuma dívida cara. Agora o 13º pode ir quase todo pra meta grande: entrada de imóvel, lua de mel, troca de carro. Aqui dá pra ser mais generoso com a fatia de curtir também, porque a casa está em ordem. R$ 5.000 na meta, R$ 1.800 pra vocês.

A regra prática: o 13º não decide sozinho

Se tem uma regra pra tirar de tudo isso, é essa: o 13º do casal não é dinheiro de um, é dinheiro dos dois, e a fatia é combinada antes de cair na conta. O que trava a maioria dos casais não é falta de dinheiro, é o dinheiro extra chegar sem plano e cada um achar que o outro ia guardar. É a mesma armadilha do boleto que ninguém paga porque os dois acham que o outro pagou.

Vale lembrar: 13º e férias com o terço constitucional costumam cair perto um do outro pra quem tira férias no fim do ano. Se for o caso de vocês, some os dois antes de fazer o plano. É bem mais dinheiro extra do que parece quando você olha uma parcela só.

O que fazer hoje à noite

Separa quinze minutos e faz três coisas com quem você mora. Primeiro, estimem quanto de 13º líquido vai cair pros dois somados (pega o salário bruto, tira mais ou menos 15% da segunda parcela pra INSS e imposto, e soma). Segundo, decidam em qual dos três cenários vocês estão hoje. Terceiro, escrevam as quatro fatias com valor em reais cada uma, antes do dinheiro chegar.

Pra não deixar isso só na cabeça de um, dá pra registrar cada fatia como uma meta separada dentro do Nós Dois, com valor alvo e quanto já foi. A parte de quitar dívida você lança em Contas a pagar, e a projeção de sobra do casal já mostra o mês entrando no azul. Se a dúvida for parcelar algo com o extra, a calculadora financeira projeta seis meses à frente considerando as parcelas que já existem, então você vê antes se cabe de verdade ou se é o cartão te enganando de novo.

O 13º só é dinheiro perdido pra quem não faz a conta. Feita a conta, ele é o empurrão que o salário mensal nunca dá.

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