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Finanças do Casal

Despesas anuais do casal: IPVA, IPTU e seguro que chegam de uma vez (e como diluir em 12 meses)

IPVA, IPTU e seguro têm data e valor conhecidos, mas estouram o mês de janeiro. A conta de R$ 12.000 por ano em três cenários, e como diluir em R$ 1.000 por mês.

Felipe Marin28 de setembro de 20266 min de leitura
Elderly couple reviewing documents at home

Quanto o casal precisa ter na conta em janeiro pra pagar IPVA e IPTU sem abrir o cartão? No exemplo deste post, um casal com um carro e um apê próprio, são R$ 4.200 em dois boletos, num mês em que a sobra média é de R$ 1.600. O dinheiro falta antes de o ano começar.

O curioso é que ninguém foi pego de surpresa. O valor do IPVA está no carnê do ano passado, o IPTU chega todo ano na mesma época e a renovação do seguro tem data marcada na apólice. Mesmo assim, o susto de janeiro se repete em muita casa. Fizemos a conta pra entender por quê, e o que muda quando o casal separa esse dinheiro ao longo do ano.

O erro mais comum: tratar despesa previsível como imprevisto

O casal médio monta o orçamento com o que aparece todo mês: aluguel ou financiamento, mercado, luz, internet, condomínio, parcelas. A planilha fecha, sobra um valor e todo mundo respira. O erro mais comum é achar que essa sobra é dinheiro livre.

Não é. As despesas que acontecem uma vez por ano ficaram fora da conta, então a sobra está inflada. Quando o boleto grande chega, o casal costuma fazer uma de duas coisas: parcela no cartão ou tira do fundo de emergência. As duas custam caro. A primeira empurra a conta pros meses seguintes, em cima das outras parcelas. A segunda fura a reserva que existe pro imprevisto de verdade, a geladeira que para de gelar ou a consulta que ninguém planejou. IPVA ninguém pode dizer que não sabia.

A conta: R$ 12.000 por ano viram R$ 1.000 por mês

Vamos a um casal ilustrativo. Renda líquida junta de R$ 9.000 por mês, gastos mensais de R$ 7.400 e sobra de R$ 1.600, ou 17,8% da renda. Agora a lista do que vem só uma vez por ano, ou de tempos em tempos:

DespesaQuando costuma virValor no ano
IPVA e licenciamento do carroComeço do ano (varia por estado)R$ 2.400
IPTU do apêComeço do ano (varia por município)R$ 1.800
Seguro do carroMarço, na renovaçãoR$ 3.000
Seguro residencialMeio do anoR$ 420
Revisão e pneus do carroUma ou duas vezes por anoR$ 1.500
Assinaturas cobradas uma vez por anoDatas soltasR$ 480
Presentes e datas (Dia das Mães, Namorados, aniversários, Natal)Maio, junho e dezembroR$ 2.400
TotalR$ 12.000

São R$ 12.000 por ano. Dividindo por 12, dá R$ 1.000 por mês, ou 11,1% da renda. Olhe o que isso faz com a sobra: dos R$ 1.600, R$ 1.000 já tinham dono. A sobra livre de verdade é de R$ 600, ou 6,7% da renda. Foi o que a minha planilha mostrou quando incluí as anuais nela: a sobra que parecia confortável encolheu mais da metade.

Os valores são ilustrativos. A alíquota e o calendário do IPVA variam por estado, o IPTU varia por município, e quem mora de aluguel precisa ver no contrato se o IPTU é repassado. A lista certa é a de vocês: peguem o valor do último carnê, da última apólice e da última revisão.

Três cenários pra janeiro e março

Os dois primeiros vencimentos do ano pesam mais: IPVA e IPTU em janeiro (R$ 4.200) e o seguro do carro em março (R$ 3.000). Veja como o mesmo casal atravessa esse trecho em três situações.

Cenário pessimista: nada separado

Vocês gastam a sobra de R$ 1.600 todo mês, sem reservar nada. Em janeiro chegam os R$ 4.200 e o caixa não tem de onde tirar, então vai pro cartão em 6 parcelas de R$ 700. Em março, o seguro de R$ 3.000 vai em 5 parcelas de R$ 600. De março a junho, as duas parcelas somam R$ 1.300, ou 81% da sobra de R$ 1.600. Isso sem contar juros, que dependem do cartão e da forma de parcelamento. Ou o casal corta R$ 1.300 do que gastava sem pensar, ou a diferença cai na fatura seguinte.

Cenário realista: começar agora e aceitar um furo no primeiro ano

Digamos que vocês começam em outubro, separando R$ 1.000 por mês. Até março serão seis aportes, R$ 6.000. As contas que vencem nesse período somam R$ 7.200: IPVA e IPTU em janeiro, seguro em março. O furo do primeiro ano é de R$ 1.200, e ele sai da sobra livre de R$ 600, ou seja, dois meses de sobra. Dói, mas dói uma vez. A partir de abril o saldo se recompõe e, no segundo ano, o aporte de R$ 1.000 cobre o calendário inteiro sem tocar em mais nada.

Cenário otimista: tapar o furo antes de ele aparecer

Vocês têm algum dinheiro extra chegando até dezembro, parte do 13º ou um bônus, e usam R$ 1.200 pra cobrir o furo desde o começo. O primeiro ano fecha sem encostar nos R$ 600 de sobra livre, e o saldo da reserva não fica negativo em nenhum mês. Bônus: esse dinheiro extra ganhou destino antes de sumir em compras soltas.

Nos três cenários o custo anual é o mesmo, R$ 12.000. O que muda é quando vocês pagam, e pagar depois costuma vir com juros.

A regra prática: sobra só existe depois da reserva

Some tudo o que vem uma vez por ano, divida por 12 e trate o resultado como despesa fixa mensal, que sai no dia do salário. A sobra passa a ser o que resta depois desse valor. Quatro cuidados fazem a regra funcionar:

  • Separada do fundo de emergência. Uma cobre o que se sabe que vai vencer, a outra cobre o que ninguém sabia. Misturar as duas faz o fundo virar caixa de IPVA.
  • Numa conta à parte. Dinheiro reservado que fica junto do dinheiro do mês some em jantar e compra por impulso.
  • Com folga. Os valores mudam de um ano pro outro: o IPVA acompanha o valor do carro e o IPTU costuma ser reajustado. Somar de 5% a 10% de folga evita o furo do segundo ano.
  • Revisada uma vez por ano, quando chegam os novos carnês e apólices.

Sobre onde deixar o dinheiro, não recomendo produto nenhum. É uma reserva de poucos meses, então o mais importante é não misturar com a conta do dia a dia. Dúvidas sobre desconto, parcelamento ou isenção de IPVA e IPTU, confirmem com o Detran, com a prefeitura ou com um contador.

Como acompanhar isso no Nós Dois

Reserva que depende de memória some no segundo ano. Dar a cada despesa anual um lugar fixo resolve isso. O caminho que funciona no Nós Dois:

  • Em Metas, cada despesa anual vira uma meta, com valor alvo (R$ 2.400 pro IPVA e licenciamento), acumulado atual e aporte mensal (R$ 200 nesse caso). Nas notas, vale anotar o mês do vencimento e o valor do último carnê.
  • Em Finanças, os R$ 1.000 de aporte entram como despesa fixa. A projeção de sobra do casal passa a mostrar R$ 600 em vez de R$ 1.600, que é a sobra real.
  • Em Contas a pagar, o boleto entra quando chega, com vencimento e quem pagou. O dinheiro sai da reserva, não do mês.
  • Em Documentos, a apólice do seguro entra com a data de vencimento. A revisão do carro vai pra Manutenção.

O app não move dinheiro: a transferência pra conta separada é de vocês, no dia do salário. O que ele faz é deixar visível pros dois quanto já foi separado e quando cada coisa vence.

O que fazer hoje à noite

Cinco minutos, um passo só. Abram o extrato do último ano e busquem “IPVA”, “IPTU” e “seguro”. Anotem valor e mês de cada um, somem e dividam por 12. Esse é o número que falta na planilha de vocês. Se ele for maior do que cabe hoje, comecem com metade e completem quando o 13º ou um aumento chegar.

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