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Finanças do Casal

Dinheiro extra do casal: o plano pra 13º, bônus e restituição antes do dinheiro cair na conta

13º, bônus e restituição somam mais de um salário no ano. Sem plano, o dinheiro extra do casal evapora. A conta de pra onde ele deveria ir.

Felipe Marin25 de junho de 20265 min de leitura
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Some o 13º de cada um, a restituição do imposto de renda e algum bônus de fim de ano. Pra muita gente, isso passa de um salário inteiro entrando ao longo de doze meses. Um casal que junto recebe R$ 8.000 por mês pode ver uns R$ 9.000 a R$ 11.000 chegarem fora do orçamento normal. E na maioria das casas esse dinheiro não deixa rastro nenhum no fim do ano.

O erro mais comum não é gastar. É tratar esse dinheiro como se ele já fizesse parte do mês. Quando ele entra, o casal não tinha plano, então ele se mistura com o resto e some em compras pequenas que ninguém lembra depois. Fizemos a conta de pra onde esse dinheiro costuma ir, e quase nunca é pra onde o casal diria que queria.

Quanto de dinheiro extra realmente entra no ano

Vamos a um casal concreto. Ela é CLT e ganha R$ 4.500 líquido. Ele é CLT e ganha R$ 3.500 líquido. Renda mensal junta: R$ 8.000. Agora o que entra fora disso ao longo do ano:

  • 13º dela: perto de R$ 4.000 líquido, pago em duas parcelas (novembro e dezembro).
  • 13º dele: perto de R$ 3.100 líquido.
  • Restituição do imposto de renda: digamos R$ 1.400 somando os dois, caindo no meio do ano.
  • Bônus ou PLR: nem todo mundo tem, mas quando tem, some mais um salário ou meio.

Só com 13º e restituição já são cerca de R$ 8.500 entrando fora do mês. Isso é mais de um mês de renda do casal aparecendo em momentos espalhados pelo ano. Quando você olha assim, junto, dá pra entender por que faz diferença ter um destino combinado antes. R$ 8.500 sem plano vira jantar, presente, um eletrodoméstico e um saldo que ninguém sabe explicar. R$ 8.500 com plano paga uma dívida cara ou monta meia reserva de emergência.

A premissa errada: "a gente decide quando cair"

A frase que mais atrapalha é "quando o dinheiro entrar a gente vê". Quando entra, o casal está em dezembro, cansado, com lista de presente, viagem na cabeça e mil contas de fim de ano. É o pior momento do ano pra tomar uma decisão fria sobre dinheiro. A escolha vira emocional e quase sempre puxa pro consumo.

Decidir antes muda o jogo. Quando vocês combinam em junho ou em outubro pra onde vai o 13º, o dinheiro chega já com endereço. Você não está se privando de nada, está só decidindo com a cabeça no lugar em vez de decidir no calor do shopping lotado.

Três cenários: o mesmo dinheiro, três destinos

Não existe regra única, porque depende de onde o casal está. Peguei os mesmos R$ 8.500 de dinheiro extra do ano e separei por situação. Veja em qual vocês se encaixam.

Casal com dívida cara (cartão, cheque especial)

Se vocês têm R$ 6.000 no rotativo do cartão a juros de uns 14% ao mês, esse é o destino óbvio e quase imbatível. Nenhum investimento conservador paga perto disso. Jogar R$ 8.500 pra quitar essa dívida economiza, em juros, muito mais do que qualquer aplicação renderia. Aqui a conta é simples: dívida cara primeiro, sempre. O resto da conversa nem começa enquanto o rotativo estiver aberto.

Casal sem dívida, mas sem reserva

Se não tem dívida cara mas também não tem um centavo guardado pra emergência, os R$ 8.500 viram o começo da reserva. Pra um casal com custo de vida de R$ 6.000 por mês, isso já cobre quase um mês e meio de despesas. Não é a reserva inteira, mas é a diferença entre "se um de nós perder o emprego a gente quebra na primeira semana" e "a gente tem fôlego". Deixa numa aplicação que rende e dá pra sacar a qualquer momento, sem prazo de resgate.

Casal sem dívida e com reserva pronta

Aqui sim entra escolha. Vocês podem dividir os R$ 8.500: uma parte pra uma meta concreta (a viagem, a entrada do carro, o casamento) e uma parte combinada pra gastar sem culpa. A regra que funciona é separar antes. Por exemplo, R$ 6.000 pra meta e R$ 2.500 pro casal aproveitar. O ponto é que o gasto também foi planejado, então ninguém olha a fatura em janeiro e briga sobre "onde foi parar o décimo terceiro".

A regra prática que cabe em qualquer casal

Dinheiro extra não entra no orçamento mensal. Essa é a regra. No momento que vocês passam a contar o 13º como "renda de dezembro", o padrão de gasto de dezembro sobe pra acompanhar, e no ano seguinte ele já não rende nada. Dinheiro que entra fora do mês tem que ter destino fora do mês: dívida, reserva ou meta. Consumo entra só na fatia que vocês decidiram de propósito, e de preferência uma fatia pequena.

O segundo pedaço da regra é decidir os percentuais antes do dinheiro cair. Um modelo que funciona pra quem já não tem dívida: 70% pra reserva ou meta, 30% pra aproveitar. Quem ainda tem dívida cara não faz divisão nenhuma, vai 100% pra dívida até zerar. Não tem mágica nisso, é só tirar a decisão do momento errado e colocar num momento frio.

O que fazer hoje à noite

Senta os dois por dez minutos e faça uma lista única do dinheiro extra que vocês esperam nos próximos doze meses. Anota: 13º de cada um (pega o valor líquido do ano passado como referência), restituição se costumam receber, bônus ou PLR se a empresa paga. Soma tudo. Esse número, sozinho, costuma assustar de tão grande, e é justamente ele que escorre pelos dedos quando não tem plano.

Com o total na frente, escolham uma das três situações de cima e definam o destino. Dívida, reserva ou meta mais um pedaço pra aproveitar. Escreve num lugar que os dois conseguem ver, não na cabeça de um só.

É exatamente esse tipo de combinado que vale a pena registrar fora do WhatsApp, onde o print some na hora errada. No Nós Dois, vocês criam uma meta com valor alvo e acompanham o quanto já entrou, e a parte de finanças mostra a projeção de sobra do casal mês a mês, pra você ver onde esse dinheiro extra encaixa sem chute. Quando o 13º cai, o destino já está combinado e à vista dos dois.

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