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Mudança e Apartamento

Fiador, seguro-fiança ou caução: qual garantia escolher pra alugar o apê do casal

Fiador, seguro-fiança ou caução: a imobiliária pergunta e o casal trava. Veja como cada garantia funciona e qual cabe no orçamento de vocês.

Bia Tavares08 de outubro de 20265 min de leitura
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Era uma terça de tarde, a gente tinha visto o apê perfeito num sábado e marcado a entrevista na imobiliária pra terça seguinte. Chegamos animados, com holerite, extrato e RG na pasta, tudo que a corretora tinha pedido por telefone. Na hora de fechar a proposta, ela perguntou: "e qual vai ser a garantia de vocês, fiador, seguro-fiança ou caução?" A gente se olhou. Ninguém tinha pensado nisso. Passamos os dez minutos seguintes catando no celular o que cada palavra significava, enquanto o corretor esperava educado do outro lado da mesa.

O apê quase foi pra outro casal naquela tarde, porque enquanto a gente decidia sem informação nenhuma, tinha outro interessado visitando o mesmo apartamento no mesmo dia. Escolhemos na pressa. Só depois, já com o contrato assinado, descobrimos que tinha opção mais barata pro nosso caso e que ninguém explica isso antes de você precisar decidir em cinco minutos.

O problema que ninguém avisa antes de visitar o apê

A garantia não é só um detalhe de contrato. Ela muda o custo real do aluguel nos primeiros meses, e às vezes nos primeiros anos. Duas garantias diferentes pro mesmo apartamento podem significar uma diferença de milhares de reais no bolso do casal, dependendo de quanto tempo vocês vão ficar ali. E o pior: a imobiliária geralmente te dá as três opções de cara, sem explicar qual combina com o seu caso. Ela está ali pra fechar negócio, não pra fazer a sua planilha.

Se vocês ainda não conversaram sobre isso antes de começar a visitar apartamentos, essa é a hora. Vale decidir em casa, com calma, não na mesa da corretora com o relógio correndo.

Fiador: a opção mais barata que pode custar a relação com a família

O fiador é quem compromete um imóvel próprio e quitado como garantia do seu contrato. Costuma ser a opção sem custo mensal extra, o que parece ótimo no papel. Só que tem um detalhe que a gente só entendeu na prática: pedir pra alguém ser fiador é pedir pra essa pessoa assumir a dívida se vocês não pagarem o aluguel. Não é só uma assinatura, é um risco real que o fiador carrega durante todo o contrato.

A gente pediu pro pai dele, que tinha imóvel na mesma cidade, e o processo de reunir documentos, certidões e autorização demorou mais do que qualquer outra etapa da mudança. Funcionou, mas gerou uma conversa estranha no almoço de domingo por meses, tipo "e aí, tá tudo em dia com o aluguel?" vindo de alguém que não devia precisar perguntar isso.

Se o fiador é alguém da família, combinem antes quem fala com ele quando o boleto atrasar. Não deixa pra decidir isso na hora do aperto.

Seguro-fiança: paga todo ano, mas sem pedir favor pra ninguém

O seguro-fiança é uma apólice que você contrata com uma seguradora, que garante o pagamento do aluguel pro proprietário caso o casal não consiga pagar. O custo gira em torno de uma porcentagem do valor anual do aluguel, pago de uma vez ou parcelado, e precisa ser renovado todo ano enquanto o contrato continuar.

A vantagem é não depender de ninguém da família e não imobilizar um valor alto de uma vez. A desvantagem é que esse custo não é opcional nem some: é um gasto recorrente que entra no orçamento do casal junto com aluguel, condomínio e IPTU. Muita gente esquece de contar esse valor na hora de calcular se o aluguel "cabe" no orçamento, e só sente o peso quando a fatura do cartão chega parcelada.

  • Costuma ser mais rápido de aprovar do que o fiador
  • Tem custo todo ano, não é um pagamento único
  • A apólice tem data de vencimento, igual documento, e precisa ser renovada a tempo

Onde isso pode pegar o casal desprevenido

Esquecer a renovação do seguro-fiança é mais comum do que parece, porque não é um boleto mensal que aparece toda hora, é um compromisso anual que some da cabeça da gente nos outros onze meses. A gente só lembrou de anotar o vencimento da nossa apólice depois de quase perder o prazo no segundo ano.

Caução: o dinheiro que fica parado, não que some

A caução é um depósito, geralmente de um a três meses de aluguel, que o casal entrega ao proprietário no início do contrato e recebe de volta no final, descontando eventuais danos ou pendências. Não tem custo mensal, não precisa de fiador, mas exige ter esse dinheiro disponível de uma vez, logo no momento em que vocês já estão gastando com mudança, enxoval e depósito da imobiliária.

No nosso caso, a caução pedida era de dois aluguéis. Juntar isso em cima do resto da mudança quase não fechou. Deu certo porque a gente já vinha guardando pra esse momento, mas se tivéssemos decidido o apê sem calcular isso antes, teria sido um aperto feio no mês da mudança.

Qual escolher quando os dois do casal têm perfis diferentes

Não existe garantia melhor no geral, existe a que combina com a situação de vocês dois agora. Algumas perguntas ajudam a decidir junto, em casa, antes da próxima visita:

  1. Algum de vocês tem um familiar com imóvel quitado na mesma cidade e topa pedir isso sem constranger a relação?
  2. Vocês preferem um gasto recorrente previsível ou um valor único mais alto agora?
  3. Quanto tempo vocês pretendem ficar nesse apê? Contrato de curto prazo pesa diferente pra cada garantia.
  4. Quem vai lembrar de renovar o seguro-fiança ou de cobrar a devolução da caução no fim do contrato?

Essa última pergunta parece boba, mas é a que mais gera briga depois. Garantia não é decisão de um dia só, ela acompanha o casal durante todo o contrato de aluguel, então vale registrar quem ficou responsável por acompanhar o vencimento ou a renovação, pra não cair tudo em quem é mais "caxias" com papel.

O que não fazer

Não decidam a garantia na mesa da imobiliária, sob pressão de "tem outro casal interessado no apê". Essa pressão é real, mas a decisão errada custa muito mais do que perder um apartamento. Pesquisem antes de começar a visitar, mesmo que a decisão final só aconteça quando o apê certo aparecer.

O próximo passo de cinco minutos

Antes da próxima visita, sentem os dois e decidam qual garantia faz mais sentido pro momento de vocês, mesmo que seja uma decisão provisória. Registrem isso em algum lugar que os dois acessam, não só na cabeça de quem foi na reunião com a imobiliária. Se a escolha for seguro-fiança, já anotem que vai existir uma data de renovação pra não esquecer no ano seguinte. Se for caução, calculem agora, com números reais, se o valor cabe no orçamento da mudança sem estourar o resto.

No Nós Dois, decisões como essa entram no módulo Decisões, pra registrar o que o casal escolheu e por quê. Documentos com vencimento, como a apólice do seguro-fiança, ficam no módulo Documentos, com data pra não esquecer a renovação. E se a garantia escolhida for caução, dá pra guardar o valor como meta antes da mudança acontecer.

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