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Mudança e Apartamento

Garantia do aluguel: fiador, caução ou seguro fiança? A conta do casal antes de assinar o contrato

Fiador, caução ou seguro fiança na hora de alugar o primeiro apê? A conta honesta que o casal precisa fazer antes de assinar o contrato.

Bia Tavares22 de junho de 20266 min de leitura
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Era uma terça-feira de novembro quando a gente finalmente achou o apê. Dois quartos, varanda pequena, perto do metrô, dentro do que cabia no nosso orçamento. A gente saiu da visita já comemorando, mandou mensagem pra família, escolheu mentalmente onde ia o sofá. Aí, no dia seguinte, a corretora ligou e fez a pergunta que travou tudo: "Vocês vão entrar com qual garantia? Fiador, caução ou seguro fiança?"

Silêncio do meu lado da linha. Eu não fazia ideia. Sabia que precisava de garantia, mas achava que era só "alguém assina pra você". Spoiler: não é só isso, e cada opção mexe no bolso do casal de um jeito bem diferente. A gente quase fechou na primeira que a imobiliária empurrou, sem fazer conta nenhuma. Se vocês estão prestes a alugar o primeiro apê juntos, esse texto é o que eu queria ter lido antes daquela ligação.

O que ninguém te explica sobre garantia de aluguel

A garantia existe pra proteger o dono do imóvel caso você não pague. Até aí, justo. O problema é que ninguém senta com o casal e mostra que essas três opções não são equivalentes. Uma trava um dinheiro grande de uma vez, outra cria uma despesa fixa nova todo mês, e a terceira depende de pedir um favor enorme pra alguém da família.

E tem um detalhe que a empolgação esconde: vocês vão estar gastando com mudança, depósito, móvel que falta, taxa de cachorro, primeira conta de luz no nome novo. A garantia entra no meio dessa enxurrada de gasto. Escolher a opção errada não quebra o casal, mas pode comer a reserva inteira que vocês juntaram pra emergência, justo no mês em que mais aparece imprevisto. Antes de assinar qualquer coisa, vale parar e fazer a conta das três.

Fiador: o favor que pesa mais do que parece

No nosso caso, a primeira ideia foi pedir pro meu pai ser fiador. É a opção mais barata na superfície: não custa nada por mês, não trava dinheiro. Por isso muita imobiliária prefere.

Só que o fiador precisa ter um imóvel quitado na mesma cidade (ou na região, varia), comprovar renda, e o nome dele fica vinculado ao contrato inteiro. Se um dia vocês atrasarem feio, é o patrimônio dele que responde. Quando entendi isso, repensei. Uma coisa é pedir um favor de assinatura. Outra é colocar a casa do meu pai como garantia de uma briga futura que eu nem sei se vai existir.

A regra que a gente adotou: fiador só se a pessoa entender de verdade o que está assinando, e se vocês dois toparem ter essa conversa franca com ela antes. Nada de "assina aqui rapidinho". É a coisa mais barata e a mais delicada ao mesmo tempo.

Caução: o dinheiro que some da sua reserva

A segunda opção é a caução, o famoso depósito. Você adianta um valor (em geral até três aluguéis) que fica preso como segurança e volta no fim do contrato, se estiver tudo certo na vistoria.

Parece tranquilo até você fazer a conta de verdade. Se o aluguel é de R$ 2.000,00, a caução pode chegar a R$ 6.000,00 travados. Esse dinheiro não some, mas fica indisponível por anos. No mês da mudança, com mil outros gastos, tirar R$ 6.000,00 da reserva do casal de uma vez foi o que mais me assustou. É o tipo de saída que você nem registra direito porque "vai voltar", e aí esquece que deixou a conta no osso.

A regra que funcionou pra gente: caução só vale se, depois de tirar esse valor, ainda sobrar reserva de emergência pra pelo menos um mês de despesa do casal. Se o depósito zera o colchão de vocês, a economia mensal não compensa o risco de ficar sem nada se a geladeira pifar na semana seguinte.

Seguro fiança: a despesa fixa que entra sem você perceber

A terceira opção foi a que a gente acabou escolhendo. O seguro fiança é uma empresa que garante o aluguel pro dono, e você paga por isso. Costuma custar de uma a uma vez e meia o valor do aluguel anual, parcelado.

Na prática, no nosso aluguel de R$ 2.000,00, isso virou uma parcela a mais de uns R$ 200,00 e poucos todo mês. Não trava dinheiro grande, não depende de favor de ninguém, e a aprovação é rápida. O lado chato: é dinheiro que não volta, diferente da caução. E é uma despesa fixa nova que entra no orçamento e some no meio das outras se você não anotar.

Foi aqui que a gente tomou um susto bom. Quando colocamos as três contas lado a lado num lugar só, ficou óbvio que cada opção tinha um "custo escondido" diferente: o fiador custava um favor, a caução custava liquidez, o seguro custava uma parcela mensal pra sempre. Sem ver tudo junto, a gente ia escolher por preguiça.

A conta das três, lado a lado

Foi nesse ponto que parar pra organizar fez diferença. A gente listou os números reais de cada cenário pra um aluguel de R$ 2.000,00, mais ou menos assim:

OpçãoCusto na entradaCusto por mêsVolta pra você?
FiadorR$ 0,00R$ 0,00Não se aplica
Caução (3x)R$ 6.000,00R$ 0,00Sim, no fim
Seguro fiançabaixo ou zerocerca de R$ 200,00Não

Vendo assim, a decisão deixou de ser "qual a imobiliária prefere" e virou "o que cabe no nosso momento". A gente tinha reserva, mas não queria zerar ela na mudança. Tínhamos fiador possível, mas não queríamos pôr o imóvel do meu pai em jogo. Sobrou o seguro fiança, e fechamos sabendo exatamente o que estávamos escolhendo, e não no susto da ligação.

Pra não perder esses números de vista, a gente registrou tudo num só lugar. As datas e cláusulas do contrato, a data de renovação do seguro e o vencimento da apólice ficaram organizados em Documentos, e a parcela mensal do seguro entrou em Contas a pagar com vencimento recorrente, pra ela nunca mais sumir no meio das outras despesas. A gente usa o Nós Dois pra isso, que junta finanças, contas e documentos do casal no mesmo app, mas o ponto é maior que a ferramenta: garantia de aluguel não é detalhe, é uma das maiores decisões financeiras da mudança e merece estar anotada onde os dois enxergam.

O que NÃO fazer

O erro que a gente quase cometeu foi deixar a imobiliária escolher por nós. Cada empresa tem a opção que prefere, porque é a que dá menos trabalho ou mais comissão pra ela, e nem sempre é a melhor pro casal. Outro erro comum é decidir a garantia separado, um cuida do contrato e o outro nem sabe o valor que vai sair. Isso é dinheiro grande do casal saindo, os dois precisam ver a conta. E, importante: regras de garantia, fiança e contrato variam muito e mudam de imobiliária pra imobiliária, então leiam cada cláusula com calma e, se a dúvida for jurídica, vale consultar um profissional antes de assinar.

Seu próximo passo, em 5 minutos

Antes da próxima visita, sentem os dois e respondam três perguntas rápidas: a gente tem reserva pra travar uma caução sem zerar o colchão de emergência? A gente tem alguém que toparia ser fiador de verdade, entendendo o risco? A gente prefere pagar uma parcela mensal a vida do contrato pra não mexer no dinheiro guardado? A resposta dessas três já elimina pelo menos uma opção e tira você daquele silêncio constrangedor no telefone. Anotem a escolha num lugar que os dois enxergam, com o valor de cada cenário do lado.

Quando vocês fecharem, o seguro, o contrato e as datas de renovação não podem virar papel solto numa gaveta. É isso que vira dor de cabeça lá na frente.

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