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Mudança e Apartamento

Pintar ou furar parede no apê alugado: o que pode custar caro na saída

Antes de furar parede ou pintar o apê alugado, vale saber o que o contrato permite e o que pode custar caro na vistoria de saída do casal.

Bia Tavares16 de outubro de 20264 min de leitura
A person painting a pale wall with a roller beside a framed picture

No nosso segundo mês no apê alugado, a gente comprou tinta verde-oliva pra pintar a parede atrás do sofá numa sexta de maio. Antes de fechar a lata, já tínhamos furado três buracos: um pro quadro da entrada, um pro suporte de TV e um pra prateleira da cozinha. Só depois, tomando café no sábado seguinte, alguém perguntou: "isso aqui não ia precisar voltar do jeito que recebemos?"

Spoiler: parte voltou, parte não. E a parte que não voltou custou mais do que a gente queria, porque ninguém tinha combinado nada antes de furar a primeira parede.

O problema que ninguém avisa antes de furar a primeira parede

Todo apê alugado chega branco e meio sem cara. É normal querer deixar com a identidade do casal, pintar, pendurar coisa, trocar maçaneta feia. O problema é que isso quase nunca é uma decisão única, é uma sequência de decisões pequenas tomadas ao longo de meses, cada uma parecendo inofensiva na hora. Três furos aqui, uma parede pintada ali, um adesivo na porta do armário. Na vistoria de saída, tudo isso vira linha de orçamento, e o casal descobre junto, no mesmo dia, quanto vai custar.

Leia o contrato antes de comprar a tinta

A gente só leu o contrato de aluguel de verdade depois de já ter pintado a parede. Lá estava, bem claro: "o imóvel deve ser devolvido nas mesmas condições de pintura e acabamento do recebimento, ressalvado o desgaste natural de uso". Ou seja: pintura de cor diferente da original não entra em "desgaste natural", entra em "você vai repintar antes de sair ou vai pagar pra alguém repintar".

A regra que a gente criou depois: antes de qualquer alteração visual (parede, piso, armário fixo), um dos dois lê o trecho do contrato que fala de devolução do imóvel e lê em voz alta pro outro. Parece bobo, mas evita a situação de "eu não sabia que isso contava".

Fotografe antes, durante e depois (e guarde)

Uma coisa que poucos casais fazem: fotografar a parede antes de furar, não só depois. A gente só começou a fazer isso depois do susto com a tinta. Hoje, antes de qualquer furo ou mudança, um tira foto da parede como está, com data visível (print do celular com relógio, ou uma foto do jornal do dia ao lado, qualquer coisa que marque quando foi). Depois da alteração, foto de novo. Isso serve pra duas coisas: pra lembrar exatamente quantos furos e onde ficaram, e pra ter prova caso a discussão com a imobiliária vire "isso já estava assim quando a gente chegou".

No app a gente registra esses retoques pendentes no módulo de Manutenção, junto com as outras manutenções da casa. Fica ali, associado a quem fez, com data. Quando chega perto de devolver o apê, em vez de andar cômodo por cômodo tentando lembrar onde furou, já está tudo listado.

O que quase sempre pode e o que quase sempre custa caro

Não existe regra universal, cada contrato é diferente, mas pelos contratos que a gente já viu (o nosso e o de amigos), alguns padrões se repetem:

  • Quase sempre tranquilo: furo pequeno de bucha pra quadro ou prateleira leve, desde que tampado antes da saída com massa e tinta compatível.
  • Depende do contrato: pintura de parede com cor diferente da original. Alguns contratos deixam, desde que devolva na cor original. Outros proíbem qualquer alteração sem autorização por escrito.
  • Quase sempre custa caro: furo grande pra suporte de TV ou armário embutido sem bucha adequada, adesivo de parede que tira o reboco ao remover, troca de piso ou revestimento sem combinar antes.
  • Sempre peça autorização por escrito (mensagem já vale): qualquer alteração estrutural, elétrica ou hidráulica, mesmo pequena.

A diferença entre "deu certo" e "custou caro" quase nunca é a alteração em si, é se alguém perguntou antes ou só avisou depois.

Combine com a imobiliária ou o proprietário antes, não depois

Uma coisa que a gente aprendeu do jeito ruim: mandar mensagem perguntando "posso pintar a parede da sala?" antes de comprar a tinta custa cinco minutos e resolve o problema. Mandar mensagem avisando "a gente já pintou" depois de pintado não resolve nada, só documenta que você sabia que precisava perguntar.

Guarde essa conversa. Print de WhatsApp, e-mail, o que for. Se o proprietário autorizar por escrito, isso vira parte do combinado do contrato, mesmo que não esteja na cláusula original. A gente registra esse tipo de autorização em Documentos, junto com o contrato de aluguel, pra não depender de rolar o WhatsApp dois anos depois tentando achar a conversa.

O que não fazer

Não decida sozinho e avise depois. Mesmo que pareça óbvio que o outro vai gostar da parede nova ou do quadro ali, é um gasto (ou um risco de gasto futuro) do casal, não de uma pessoa. A gente já discutiu por causa disso, achando que estava sendo prático em vez de perguntar. Na prática, só estava empurrando uma conversa de cinco minutos pra uma discussão de vinte.

O próximo passo de 5 minutos

Antes de furar a próxima parede ou abrir a próxima lata de tinta: parem os dois, abram o contrato de aluguel (ou peçam uma cópia pra imobiliária se não tiverem em mãos) e leiam juntos o parágrafo sobre devolução do imóvel. Tirem uma foto da parede ou do cômodo como está hoje, com data. Isso já resolve metade do problema antes dele começar.

Se vocês já moraram juntos, vão entender: não é sobre não poder deixar o apê com a cara de vocês, é sobre decidir isso junto e com conta feita, não descobrir o preço na vistoria de saída.

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