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Finanças do Casal

Vale-alimentação do casal: por que esse saldo não entra direto na conta de casa

Vale-refeição e vale-alimentação parecem dinheiro extra, mas têm regra própria. Veja como usar esse saldo sem distorcer o orçamento de casa.

Felipe Marin03 de novembro de 20264 min de leitura
people walking on market during daytime

Se vocês dois recebem R$ 600,00 de vale-alimentação cada, juntos isso dá R$ 1.200,00 por mês. Parece sobra garantida pro mercado. Só que boa parte desse valor costuma sobrar no cartão até vencer, ou se dilui em compras que não eram pra ser feitas com ele, e no fim do mês o casal não sabe dizer quanto desse saldo realmente aliviou o orçamento.

O erro mais comum é tratar o vale-alimentação, ou o vale-refeição, como se fosse salário líquido. Não é. Ele só paga em supermercado ou restaurante cadastrado na bandeira, não paga boleto, não cobre entrega de gás em vários cartões e, em boa parte das operadoras, o saldo que não é usado dentro do mês perde valor ou simplesmente some. Quando o casal monta a planilha somando os R$ 1.200,00 ao que sobra de salário, a conta de quanto dá pra gastar já nasce errada.

A conta que o casal não faz: quanto do vale cobre o mercado de verdade

Pego um exemplo comum. Um casal gasta R$ 1.100,00 por mês em mercado, contando hortifruti, mercearia e produtos de limpeza. Juntos, os dois recebem R$ 1.000,00 de vale-alimentação, R$ 500,00 cada. Na teoria, o vale cobre 91% do mercado. Na prática, cobre menos.

Desse R$ 1.100,00, uma parte não passa no vale: gás de cozinha, farmácia, padaria sem máquina cadastrada, às vezes até o açougue de bairro. Se isso representa R$ 200,00 do total, o vale cobre de fato R$ 900,00, e os outros R$ 200,00 saem do cartão de débito ou da conta corrente do casal, igual qualquer outra despesa.

O problema é que, sem separar isso, o casal enxerga R$ 1.000,00 de vale como dinheiro livre, quando na verdade esse valor já tem destino certo. A sobra real do mês fica menor do que parece, porque R$ 200,00 do mercado continuam puxando o saldo da conta, e ninguém contabilizou isso em lugar nenhum.

Três jeitos de o casal lidar com o vale-alimentação, e só um funciona

Cenário comum: o saldo vence e ninguém percebe

Um dos dois recebe o vale, usa só parte dele no mês, deixa o resto acumular achando que é reserva. Em muitas operadoras, saldo não usado dentro do período perde validade ou cai num limbo difícil de resgatar. Se cada um deixa R$ 100,00 sobrando por três meses sem usar, são R$ 600,00 do casal que simplesmente evaporam, porque vale-alimentação não rende, não acumula pra sempre e não é tratado como reserva de verdade.

Cenário que distorce o orçamento: o vale paga o que não devia

Aqui o casal usa o vale certo, no supermercado, mas sem teto. Como o saldo some no limite do cartão e não no extrato do banco, é fácil comprar mais do que o planejado só porque "ainda tem saldo". O mercado que custaria R$ 1.100,00 vira R$ 1.350,00, porque o vale funciona como um cheque em branco mensal. No fim das contas, o casal gasta mais em mercado do que gastaria pagando do próprio bolso, só porque o dinheiro parece de outra natureza.

Cenário que funciona: vale com teto e categoria própria

O casal define, no começo do mês, que o vale cobre até R$ 900,00 do mercado, valor baseado no histórico de compra dos últimos meses. O que passa disso, incluindo o que o vale não aceita, como farmácia e gás, entra como despesa fixa separada, com seu próprio valor em reais. Resultado: a sobra real do casal fica visível, sem o vale inflando artificialmente o quanto dá pra gastar em outras coisas.

A regra prática pra não perder esse dinheiro

Vale-alimentação e vale-refeição deveriam entrar na conta do casal como uma despesa com fonte de pagamento própria, não como renda extra. A regra é simples: primeiro vocês calculam quanto o mercado custa de verdade por mês, olhando o histórico de compras e não a estimativa de cabeça. Depois, definem quanto desse total o vale cobre, considerando que parte das compras não passa nele. O que sobra, incluindo o que o vale não aceita, é tratado como despesa fixa de mercado, igual qualquer boleto.

Isso evita dois erros ao mesmo tempo: deixar saldo vencer sem usar, e usar o saldo sem limite só porque ele não sai do extrato do banco. O vale-alimentação é dinheiro do casal, só que com regra de uso diferente, e o orçamento precisa respeitar essa regra, não ignorá-la.

O que fazer hoje à noite

Abram o aplicativo ou site da operadora do vale de cada um e confiram três coisas: o saldo atual, a data em que ele some ou perde validade, e o valor que normalmente sobra sem uso no fim do mês. Com esse número em mãos, anotem o mercado como despesa fixa do casal, separando o que é pago com vale do que sai da conta ou do cartão comum, e registrem o gasto real de mercado pra comparar mês a mês. É isso que mostra se o vale está sobrando, acabando antes da hora ou simplesmente sumindo sem fazer diferença nenhuma no orçamento.

Pra organizar essa divisão sem depender de planilha paralela, o Nós Dois deixa cada despesa fixa do casal categorizada por pessoa e por forma de pagamento, e o módulo de Mercado guarda o histórico de preço e o gasto total de cada mês. Assim fica fácil ver quanto do mercado o vale realmente cobre, e quanto ainda depende da conta de vocês dois.

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