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Finanças do Casal

Décimo terceiro do casal: o que fazer com o dinheiro extra antes que ele suma

Décimo terceiro do casal some rápido com ceia e presente. Veja a conta dividida em três cenários antes de gastar tudo em dezembro.

Felipe Marin02 de outubro de 20264 min de leitura
Elderly couple reviewing documents at home

Um casal que ganha junto R$ 5.600,00 de décimo terceiro em dezembro costuma gastar os R$ 5.600,00 inteiros até o dia 26. Não é exagero, é conta: ceia, presente, viagem de fim de ano e aquela roupa nova pro Réveillon somem com o dinheiro extra antes que ele vire reserva, quitação de dívida ou meta.

O erro mais comum é tratar o décimo terceiro como "dinheiro que caiu do céu", separado do orçamento normal do casal. Na prática, ele é só salário adiantado, só que concentrado em dezembro, e janeiro continua chegando com IPVA, matrícula escolar, material e às vezes a fatura inflada do próprio Natal. Se o casal gasta o décimo terceiro inteiro na festa, janeiro é pago com o orçamento normal, que já estava no limite.

A conta do décimo terceiro do casal

Vamos usar um exemplo concreto. Pessoa A ganha R$ 3.200,00 por mês e recebe R$ 3.200,00 de décimo terceiro (primeira parcela em novembro, segunda em dezembro, somando o valor integral). Pessoa B ganha R$ 2.400,00 e recebe R$ 2.400,00 de décimo terceiro. Juntos, o casal tem R$ 5.600,00 de dinheiro extra concentrado entre novembro e dezembro.

Esse valor não é livre. Minha planilha mostra que um casal nessa faixa de renda costuma ter, só em janeiro, pelo menos três contas que não aparecem nos outros meses: IPVA (parcela única ou primeira cota, em média R$ 600,00 a R$ 1.200,00 dependendo do carro), matrícula ou material escolar se houver filho (R$ 400,00 a R$ 1.000,00) e a fatura do cartão inflada pelo próprio Natal, que costuma chegar em janeiro por causa do fechamento. Se vocês ganham junto R$ 5.600,00, só essas três contas já podem consumir R$ 1.400,00 a R$ 3.200,00 do total.

Três cenários pra decidir o que fazer com o décimo terceiro

Fizemos a conta em três versões, pra mostrar o que muda quando o casal decide dividir diferente.

Cenário pessimista: o casal gasta os R$ 5.600,00 inteiros em ceia, presentes e uma viagem curta de Réveillon. Janeiro chega e as contas de IPVA e material escolar entram no orçamento comum, que já estava calculado sem essa sobra. O resultado é um mês apertado, ou pior, entra no cartão parcelado justamente pra pagar conta que já era esperada.

Cenário realista: o casal separa R$ 1.800,00 pra contas já previstas de janeiro (IPVA, material, fatura de dezembro), R$ 1.800,00 pra ceia, presentes e um jantar de fim de ano sem exagero, e guarda R$ 2.000,00 numa meta, seja fundo de emergência ou objetivo de médio prazo como viagem ou entrada de um bem. Janeiro passa sem sobressalto e ainda sobra alguma coisa guardada.

Cenário otimista: o casal já tem as contas de janeiro cobertas pelo orçamento normal (por exemplo, porque já diluiu o IPVA em 12 parcelas durante o ano) e pode usar R$ 1.200,00 pra festa e presente, destinando os R$ 4.400,00 restantes inteiros pra uma meta grande, como entrada de imóvel ou quitação antecipada de uma dívida com juros alto. Esse cenário só funciona se o casal já fez o planejamento de despesas anuais antes de dezembro chegar.

Por que o décimo terceiro não deveria ser gasto de uma vez

O décimo terceiro tem um problema de timing: ele chega concentrado, mas as contas que ele deveria cobrir estão espalhadas em dois meses, novembro, dezembro e janeiro. Quando o casal trata o valor como "sobra pra gastar", ignora que parte dele já tem destino certo antes mesmo de cair na conta.

Não existe uma regra genérica de quanto guardar, porque isso depende se o casal já tem fundo de emergência, se tem IPVA ou aluguel pra pagar em janeiro, se vai viajar de férias ou se prefere priorizar uma meta de médio prazo. O que muda o resultado é fazer a conta antes de gastar, não depois.

A regra prática pra dividir o décimo terceiro

Divida o valor em três blocos, nessa ordem: primeiro, o que já está previsto pra janeiro e fevereiro (IPVA, matrícula, material, fatura de dezembro). Segundo, o que o casal já decidiu guardar como meta, seja fundo de emergência ou objetivo específico. Só o que sobra depois desses dois blocos é gasto livre com ceia, presente e lazer de fim de ano.

Essa ordem evita o erro mais comum, que é gastar primeiro e descobrir em janeiro que faltou dinheiro pra conta que já era esperada há meses.

O que fazer hoje à noite

Sentem os dois e listem, numa folha ou numa nota no celular, todas as contas que vocês sabem que vão chegar em janeiro e fevereiro: IPVA, material escolar, matrícula, seguro, qualquer coisa anual. Somem o valor. Depois, comparem essa soma com o valor total do décimo terceiro do casal. Se a soma das contas de início de ano for maior que 40% do décimo terceiro, já é sinal de que o cenário realista faz mais sentido que o pessimista.

Esse exercício leva 15 minutos e evita a surpresa de janeiro, que todo casal já viveu pelo menos uma vez.

Estudos mostram que casais que conversam sobre dinheiro antes de gastar tendem a brigar menos por conta atrasada no início do ano.

Pra manter esse planejamento visível depois que a conversa acabar, registrar as contas de janeiro em um lugar fixo e colocar a parte guardada do décimo terceiro numa meta com valor alvo ajuda a não perder o controle entre novembro e fevereiro.

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