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Decisões Grandes

Guardar para a Faculdade do Filho: a Conta que Muda se o Casal Começa Agora ou Espera

Quanto o casal guarda por mês pra faculdade do filho muda de R$ 1.000 pra R$ 278, dependendo só de quando vocês decidem começar. Veja a conta.

Felipe Marin06 de outubro de 20264 min de leitura
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Se o filho do casal nascer hoje, faltam cerca de 18 anos até o primeiro vestibular. Parece muito tempo. Mas se vocês decidirem começar a guardar dinheiro pra faculdade só quando ele entrar no ensino médio, sobram uns 5 anos, e a parcela mensal que cabia em R$ 278 vira R$ 1.000. A diferença não está no valor final da meta, está em quando o casal decide decidir.

A premissa que a maioria do casal carrega sem perceber

O raciocínio mais comum é parecido com esse: "a faculdade é lá na frente, dá tempo de pensar nisso quando ele crescer". Funciona enquanto o filho tem 2 anos. Só que esse "lá na frente" não avisa quando chega. Entre o aluguel que sobe, o carro que precisa de revisão e a viagem que o casal queria fazer, a meta da faculdade fica sempre em último lugar na lista de prioridades do mês, até sobrar pouco tempo pra guardar o valor que seria necessário.

A conta que muda dependendo de quando vocês começam

Pra ilustrar, imagine um curso de faculdade particular que custa hoje algo em torno de R$ 1.200 por mês. Em quatro anos, sem contar material, isso dá R$ 57.600 só de mensalidade. Esse valor tende a subir com o tempo, então um fundo que cubra pelo menos os dois primeiros anos do curso, algo como R$ 60.000, já é uma meta razoável pra abrir a conversa.

A pergunta que decide o tamanho da parcela mensal não é "quanto custa a faculdade", é "quantos meses o casal tem até lá". É aritmética simples: divide o valor total pelos meses que faltam. E é aí que a conta aperta ou alivia, dependendo de quando vocês decidem começar a guardar.

Três cenários: a mesma meta, parcelas bem diferentes

Cenário 1, começando tarde. O filho tem 13 anos e o casal decide começar a guardar só agora, faltam 5 anos até a faculdade. Pra juntar R$ 60.000, são R$ 1.000 por mês, sem contar nenhum rendimento. Pra uma família com renda média, isso compete direto com o orçamento do mês e costuma ser o primeiro item cortado nos meses mais difíceis.

Cenário 2, o meio do caminho. O filho tem 3 anos, faltam 15 anos até a faculdade. A mesma meta de R$ 60.000 cai pra R$ 333 por mês. É um valor que cabe numa meta mensal dentro do orçamento do casal, parecido com uma parcela pequena de financiamento.

Cenário 3, começando no nascimento. Com 18 anos de prazo, a parcela cai pra R$ 278 por mês. A diferença entre o cenário 1 e o cenário 3 é R$ 722 por mês, pelo mesmo valor final guardado. E isso sem considerar nenhum rendimento de investimento, só a divisão simples do valor pelos meses.

Se parte desse dinheiro for investido e render algo acima da inflação, a parcela mensal necessária fica menor ainda. Mas esse cálculo depende de onde o casal guarda o dinheiro, do perfil de risco de cada um e do prazo, e essa é uma conversa pra fazer com um profissional de investimentos, não uma conta de blog.

E se o filho passar numa faculdade pública?

Vale guardar dinheiro mesmo apostando numa faculdade pública. O curso pode não cobrar mensalidade, mas moradia em outra cidade, material, transporte e o tempo sem trabalho formal custam. Uma reserva menor, pensada como apoio e não como mensalidade completa, continua fazendo sentido nos dois caminhos.

Quem põe quanto: dividir a meta entre os dois

Com a parcela mensal definida, falta decidir quem paga o quê. Duas formas simples resolvem a maioria dos casos: dividir o valor igual entre os dois, ou dividir proporcional à renda de cada um. Se um ganha R$ 6.000 e o outro R$ 4.000, por exemplo, numa meta de R$ 333 por mês dividida proporcional, ficaria algo como R$ 200 pro primeiro e R$ 133 pro segundo. O importante não é a fórmula, é que os dois saibam exatamente quanto entra todo mês e de quem, pra meta não depender da boa vontade de um lembrar o outro.

A regra prática: decidir o prazo antes de decidir o valor

O erro mais comum não é guardar pouco, é não decidir quando começar. Enquanto a meta fica solta, sem data e sem valor mensal, ela compete com qualquer outra prioridade do mês e perde quase sempre. A regra prática é simples: definam juntos até que idade do filho vocês querem ter o valor pronto, dividam o total pelos meses que faltam, e tratem esse número como uma conta fixa, do mesmo jeito que tratam aluguel ou condomínio.

O que fazer hoje à noite

Sentem os dois, decidam um valor estimado de meta (mesmo que seja um palpite, dá pra ajustar depois) e a idade em que vocês querem esse valor pronto. Dividam pelo número de meses até lá. Esse número é a parcela mensal que entra no orçamento do casal a partir do mês que vem, como uma meta com nome e prazo, não como "o que sobrar".

Registrar essa meta num lugar fixo, com valor alvo, quanto já foi guardado e o aporte mensal sugerido, ajuda a não deixar a conta se perder entre as outras prioridades do mês. É pra isso que serve o módulo de Metas do Nós Dois: colocar nome, prazo e valor numa meta como essa, junto das outras metas do casal, pra acompanhar o progresso sem reabrir a planilha todo mês.

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